quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O Nascimento da Filosofia




Aprendemos, quando crianças, o que nos diferencia dos animais. São várias as respostas dadas, inteligência superior, capacidade moral, autoconsciência, cultura, etc. Muitas das quais estão sendo colocadas em cheque com o tempo. Mas uma diferença é fundamental, talvez a causa de muitas vantagens e desvantagens: a imaginação.
E talvez seja por isso que sejamos os únicos animais a formular crenças. Calma, não quero dizer que as crenças são puramente imaginativas (oníricas, ou algo do tipo). Podemos partir do princípio de que tudo são crenças, mas não quero discorrer muito por este viés epistemológico.
É porque, quando adquirimos a capacidade de imaginar, adquirimos, por conseguinte, a capacidade de imaginar o mundo de uma forma que ele seja de uma maneira diferente daquela que nos deparamos em princípio. Nasce a capacidade de questionar. “Talvez o mundo seja diferente daquilo que vejo”.
Porém, como tudo dentro do caos, a capacidade de questionar levou à necessidade de obter respostas, que também necessitavam de imaginação. Imaginação por imaginação, o caos estava instaurado. E sabemos perfeitamente que muito de complexo e inimaginável pode surgir dessas conclusões.
Então faço uma crítica genealógica. Voltemos ao passado no momento em que adquirimos a capacidade de imaginar. Surgem as questões, nascem as necessidades de resposta.
Calma. Antes de querer respondê-las, tente saber o que você pode perguntar e tente formular uma base para aquilo que você vai responder.
Temos de ter a noção de que somos pessoas cobertas de respostas para tudo, entregues a nós desde que nascemos. Porém, não sabemos as perguntas. Como podemos ter as respostas sem saber as perguntas? Isso torna tais respostas tão sem sentido!
Todo seu conhecimento está baseado em respostas sem perguntas.
Isso me lembra muito aquele livro/filme “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, em que dois seres hiperinteligentes fazem um supercomputador (chamado "O Pensador Profundo") para tentar descobrir a resposta para “a vida, o universo e tudo o mais”, a resposta, dada pelo Pensador Profundo, depois de milhares e milhares de anos, é “42”. Inconformados com a resposta, os seres dizem ao tão complexo computador que não era essa a resposta que procuravam. O computador retruca que eles próprios não sabiam qual era pergunta, afirmando em seguida que a resposta em si (42), só poderia ser entendida quando soubessem a pergunta.
Para obter a pergunta, teriam que fazer um computador tão complexo, que necessitaria de unidades vivas, atuando em conjunto para obtê-la. E esse computador era a terra e as unidades seríamos nós.
O que se depreende então é a lição do filme que nos é dada: talvez nossa função precípua aqui não seja obter sempre as melhores e mais fundamentais respostas, mas saber quais são as melhores e mais fundamentais perguntas.
Nasce, então, a capacidade de filosofar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário