Vale a pena checar essa abordagem, tão sábia, sobre a felicidade. Ativem as legendas.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
quarta-feira, 20 de julho de 2011
terça-feira, 19 de julho de 2011
Vazio.
E você, como preenche o seu vazio?
A tirinha pode de início ter um efeito Niilista, mas vai muito além disso. O vazio inicial, inerente à condição humana, rebaixa-nos, o que nos traz desconforto, e por este motivo tentamos mascará-lo, esquecê-lo através de alienações. A verdadeira superação está em usar deste vazio para crescer, usar o próprio mal contra ele mesmo. O vazio torna-se diversão e felicidade, e assim é superado. Nasce o Übermensch, o Além-homem nietzscheniano.
D'aqui.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Felicidade

Há muito se discute sobre felicidade: o que ela é, o que ela significa, como alcançá-la ou até se realmente ela existe. Mas muito mudou nos últimos anos, substituindo o legado filosófico por uma "filosofia pop" que foi tomando corpo acidentalmente, até formar monstros que assombram nossa cultura e nos desvirtuam de nosso destino.
Façamos uma análise do que ocorreu nos últimos tempos: Desde as Feridas Narcísicas nos encontramos diante da falta de sentido absoluto de nossas vidas, então este pode ser um enfoque nesta primeira parte. As Feridas Narcísicas são três: a de Copérnico ao propor o modelo heliocêntrico, no qual a terra não seria mais o centro do universo; a de Darwin ao propor a retirada do homem do centro de todas as espécies, afirmando ser este apenas mais um e "parente" genético dos demais; e finalmente Freud, ao afirmar que o homem age segundo a vontade de seu inconsciente, ou seja, tirando o consciente do centro do próprio ser humano. Essas Feridas acompanharam o surgimento do Niilismo, doutrina filosófica segundo a qual a vida não possui mais sentido.
Obviamente podemos perceber que o ser humano, ainda hoje, não sabe lidar com estes fatos, entrando em um tipo de desespero, o que acabou por desestruturar aqueles que os aprendiam. Outro fato que alimentou o Niilismo foi a certeza da morte e um natural ceticismo humano pelo que vem depois. Por mais religioso que seja, ninguém pode estar certo do que vem depois da morte, pois ninguém voltou de lá até agora para contar como é, e isto acaba por retirar o sentido da vida. "Por que construir uma vida, adquirir conhecimento, bens e etc. se um dia tudo acaba?" alguém pode dizer. Como lidar com o Niilismo?
“O fantasma do Niilismo assombra a Europa", já dizia Nietzsche (Hoje, parece cada vez pior, assombrando o mundo todo). A proposta de Nietzsche durante toda sua vida foi afastar este fantasma, tentando estabelecer um código de conduta, uma moral completamente nova, distante de qualquer superstição, que se fez necessário depois da chamada morte de deus (fruto das Feridas Narcísicas).
Mesmo se você não concordar que as Feridas Narcísicas prenunciaram a morte de deus, você é capaz de perceber que a religiosidade e o seu significado subjetivo foram amplamente prejudicados, tanto que permitiram a mudança de estigma dado à igreja, capaz de sentenciar à morte Galileu, caso não desmentisse seu modelo heliocêntrico e, ainda no mesmo século, condecorar Newton com o título de Sir do grandíssimo reino britânico.
Nietzsche nasceu no mesmo período em que Darwin publicava seu A Origem das Espécies – segunda Ferida – o que lhe rendeu uma vista privilegiada da mudança paradigmática da época, na qual o Niilismo emergiu das sombras. Por sua vez, o Niilismo, que parece cada vez mais forte (será que ninguém lê Nietzsche?) levou ao sentido atual de felicidade, que eu chamo de "Hedonismo de Consumo".
A lógica é esta: se a vida não tem sentido, podemos fazer o que queremos da vida, aproveitando o momento e os prazeres cotidianos, este é basicamente o Hedonismo Atual. Ele, por sua vez, é de Consumo, pois todo o prazer deriva do material, que pode ser adquirido por meio de capital. Não obstante os sábios dizeres de que "dinheiro não traz felicidade", parecem todos jurarem que o oposto é que é o verdadeiro. Segundo um grande psicólogo atual chamado Daniel Kahneman, o ser humano pode ser dividido entre Eu-experiência e Eu-memória. Quando fazemos uma avaliação para determinar se somos felizes, praticamente ignoramos o eu-experiência.
Façamos um exercício mental: você aceitaria fazer uma viagem ao seu lugar dos sonhos com a condição de que no final toda sua memória fosse deletada? Se você for normal, a resposta é não, pois você, intimamente, não está ligando para o prazer que aquilo possa proporcionar ao seu eu-experiência e sim à recordação da experiência ao seu eu-memória. Outro ponto importante é que somos levados a determinar quão boa é uma experiência avaliando seu final: se um filme tem um final chato ou totalmente previsível, dizemos que todo o filme foi ruim, ainda que seja excelente. Aprendemos então que a lembrança da experiência é mais importante que ela própria, e que o principal para julgá-la é seu fim.
Ora, o Hedonismo não parece tão desafiador agora, parece? Por exemplo, eu não deveria tomar bebidas alcoólicas, ou drogas, já que não pode trazer felicidade ao meu eu-memória (dependendo, claro, de seus efeitos). Por tais motivos, Nietzsche abominava o uso de quaisquer meios que nos tirassem o senso de realidade.
E enquanto à morte? Bom, penso eu que uma vida sem a morte é como um filme sem final, ou um filme beeem grande. Sob esse prisma, não há nada mais chato.
Quanto ao Consumo, não faz sentido atribuir-lhe felicidade, vejamos como. Primeiramente, é necessário ao capitalismo alimentar a ideia de que dinheiro traz felicidade, pois isto faz girar mais ainda o capital. Através da propaganda (no sentido político e comum) é disseminada o Hedonismo de Consumo e até o recente (e sem sentido) Social-Capitalismo para trazer essa tal "felicidade" através do dinheiro. Ora, não que eu diga que dinheiro não influi na felicidade, neste caso é importante perceber que a falta de dinheiro para as necessidades básicas gera infelicidade. Daniel Kahneman neste sentido fez uma pesquisa interessantíssima que prova este argumento, relativamente à felicidade de diversos grupos econômicos, comparando seu capital com a felicidade que estes ganhavam (o mesmo estudo relacionou a tristeza com a perda de dinheiro, representado à esquerda da linha vertical – o que parece ser até mais correlato).

Naturalmente, a linha cresce até certo ponto, depois disso mantém-se constante. Kahneman se referiu a ela como “a linha mais plana” que ele já tinha visto em um gráfico. Por que isto acontece?
Para entender este ponto, vamos à definição de felicidade segundo Epícuro, um filósofo que nasceu em 341 AC. Segundo ele, a felicidade pode ser conquistada através de amizades, liberdade e pensamento reflexivo. Este é o chamado Hedonismo Grego, no qual a busca pelo prazer se resumia à busca por amizades, liberdade e pensamento filosófico. Estas três características estão presentes para homens e mulheres desde seus nascimentos, mas somos constantemente induzidos a buscar outras formas de felicidade com o Hedonismo de Consumo, através de prazeres com menos sentido.

É isso mesmo que você viu. Um perfume de nome “liberdade”, uma forma de despertar o inconsciente humano para comprá-lo (poderíamos até chamar de mensagem subliminar).

Pensamento filosófico? Pensei que fosse difícil achar esse!
Sim! Sabemos do que queremos! (Intimamente, pelo menos). Mas somos tão bombardeados de informações propagandísticas em detrimento de nossa natureza, que nos esquecemos de que não há nada melhor do que esses três princípios epicuristas. Neste sentido, a linha permanece plana porque ela simboliza a quantidade de dinheiro responsável pela subsistência “confortável”, como exposto anteriormente, a falta de dinheiro causa infelicidade, mas seu excesso não provoca felicidade.
No mais, temos de viver moderadamente, aproveitando a vida, de maneira livre, espontânea, enérgica, amando as pessoas como se não houvesse amanhã (já dizia Renato Russo), e pensando muito, muito a respeito.
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