segunda-feira, 2 de julho de 2012

Punição?



Hoje vi uma inscrição na parede, "punição aos torturadores do regime militar!". Sem querer entrar no mérito da questão, faço uma observação mais formal: parece-me que, às vezes, confundimos justiça com vingança. Não me parece lógico querer que haja punição a pessoas que puniram outras, ainda que discordemos da razão desta última.

Certo, entendo que esta ideia pode parecer um contrário-senso, mas, se continuarmos a estabelecer a mesma lógica, pode ser que surgisse alguém, detentor de poder, que, ao discordar do nosso posicionamento, quisesse também se vingar, punindo-nos.

Entendo que, ao final, inevitavelmente, constituir-se-ia nossa extinção, nessa infindável cadeia de vinganças. Depreendemos, pois, que a vingança, inevitavelmente, gera nossa própria destruição, pois nosso rival (ao entender o mesmo), sentindo-se injustiçado, não fará justiça, fará, ao contrário, uma nova vingança.

Justiça, pelo contrário, direciona todos rumo à paz social, estabelecendo que, o que vemos hoje como punição (como, por exemplo, a suspensão do direito à liberdade) seja, na verdade, utilizada para fins de ressocialização, ou seja, readaptação ao sistema social.

Pode-se, também, utilizar o argumento de que nosso sistema carcerário não comporta a ideia de reabilitação. Isso não é desculpa para respaldar a vingança. O primeiro passo para que tenhamos um sistema eficiente de ressocialização é entendermos a real função deste sistema.

A punição, desta forma, é um ato imoral, desumano, que se origina desse sentimento de injustiça que surge em determinadas situações, que, por sua vez, deve ser redirecionado para o bem do próprio sujeito ativo da injustiça.

Não é à toa que duas grandes filosofias da moral (a cristã e a budista) evocam a ideia do perdão e reprimem o sentimento de vingança.

Só há harmonia se houver justiça, só há justiça se houver humanidade, só há humanidade se não houver vingança.

Nenhum comentário:

Postar um comentário