(...)Meu exemplo favorito é a história que se conta sobre o físico italiano Enrico Fermi, recém-chegado às praias norte-americanas, membro do Projeto Manhattan de armas nucleares, e tendo de se defrontar com chefes-de-esquadra norte-americanos no meio da Segunda Guerra Mundial.
— Fulano de tal é um grande general — disseram-lhe.
— Qual é a definição de um grande general? — perguntou Fermi na sua maneira característica.
— Acho que é um general que ganhou muitas batalhas consecutivas.
— Quantas?
Depois de alguma hesitação, decidiram-se por cinco.
— Quantos dos generais norte-americanos são grandes generais?
Depois de mais alguma hesitação, decidiram-se por uma pequena porcentagem.
— Mas imaginem — replicou Fermi — que não exista isso que vocês chamam de grande general, que todos os exércitos tenham forças iguais, e que vencer uma batalha seja uma simples questão de sorte. Nesse caso, a probabilidade de vencer uma batalha é de uma em duas, ou 1/2; duas batalhas, 1/4; três, 1/8; quatro, 1/16; e cinco batalhas consecutivas, 1/32 — o que é mais ou menos 3%. Vocês esperam que uma pequena porcentagem dos generais norte-americanos ganhe cinco batalhas consecutivas — por uma simples questão de sorte. Agora, algum deles já ganhou dez batalhas consecutivas… ?
fonte: de Carl Sagan
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